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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Paragominas: o ponto de virada

Hoje com 100 mil habitantes, Paragominas é tida como modelo de desenvolvimento sustentável para outras cidades da Amazônia.

Por Thiago Medaglia
Foto de Rodrigo Baleia
No Parque Ambiental de Paragominas, alunos do sistema público de ensino recebem aulas de educação ambiental. O espaço, antes de uma propriedade privada jogada à própria sorte, foi reformado, e sua vegetação, recuperada.
A cidade de Paragominas, no leste do Pará, foi sinônimo de desmatamento desde a abertura da rodovia Belém-Brasília, na década de 1970. Em 1990, chegou a ser o principal polo produtor de madeira do Brasil ao abrigar 400 serrarias - hoje são menos de 20. Nesse mesmo período, era também a maior produtora de bovinos do Pará. Atualmente, o rebanho de 300 mil cabeças - que sofreu redução gradual nos últimos anos - não consta nem mesmo entre os cinco maiores do estado. E as mudanças vão muito além do pasto.

O passado - e a respectiva fama - ficaram para trás. Hoje com 100 mil habitantes, Paragominas é tida como modelo de desenvolvimento sustentável para outras cidades da Amazônia. Um projeto local, criado em 2008 e chamado de Município Verde, serviu de base a um programa estadual com o mesmo nome, cunhado em 2011 pelo governo do Pará e com adesão inicial de 74 municípios. Além da parceria com ONGs, universidades e institutos de pesquisa, as principais iniciativas do projeto são reflorestamento (nos últimos três anos, o município plantou 55 milhões de árvores), pecuária e agricultura sustentáveis (investe na fertilidade do solo em vez de avançar sobre a mata), educação ambiental e manejo florestal (ação que minimiza o impacto sobre a floresta na retirada das toras com relevância econômica).

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De forma geral, a extração de madeira e a pecuária são praticadas há pelo menos três décadas nos municípios da região. A agricultura de grãos e a extração de minério (no caso local, a bauxita) são mais recentes. Assim, a cidade paraense "já experimentou todas as atividades produtivas da Amazônia", explica Paulo Amaral, pesquisador do Imazon.

Essas práticas trouxeram consequências, embora algumas delas não estejam à mostra. Com 20 mil quilômetros quadrados de área (quase o tamanho de Sergipe), o município conta com grande remanescente florestal: 66% de seu território. Um sobrevoo em Paragominas revela toda a soberania da copa das árvores, entremeada aqui e ali por áreas desmatadas. Do alto, entretanto, o olhar superficial engana. "Não se trata de floresta intocada, mas sim de uma mata da qual foi retirada boa parte das árvores com valor comercial", explica Fábio Niedermeier, da organização não governamental The Nature Conservancy (TNC), contratada pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas para elaborar um diagnóstico ambiental das propriedades locais. Nos pontos onde não houve corte raso (destinado à pecuária), a própria floresta trata de regenerar logo os espaços criados pela derrubada de árvores de grande porte.

A parceria com a TNC, por si só, evidencia o perfil incomum da cidade: em uma região marcada por conflitos agrários e embates entre ambientalistas e ruralistas, a ONG ganhou salaprópria no prédio do sindicato dos produtores. Esse tipo de inovação é fruto de mudanças impulsionadas pela inviabilidade econômica anterior de Paragominas. Com a entrada do município na lista dos campeões de desmatamento na Amazônia, divulgada em janeiro de 2008 pelo Ministério do Meio Ambiente, os produtores ficaram impedidos de acessar linhas de crédito.

Naquele mesmo ano, em março, uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ibama e da Força Nacional de Segurança Pública chegou à cidade. Chamada de Arco de Fogo, a iniciativa resultou, sobretudo, no fechamento de serrarias ilegais. A reação de Adnan Demachki, ainda hoje prefeito, foi convocar empresários e 50 entidades de classe locais para a assinatura de um pacto pelo desmatamento zero. Ainda naquele ano, em novembro, outra operação, chamada de Rastro Negro e encabeçada pela Polícia Militar e pelo Ibama, pôs fim a 120 fornos de carvão irregulares, além de apreender caminhões com toras procedentes de áreas exploradas de forma ilegal. A reação das pessoas ligadas a essas atividades foi violenta, e, em 24 de novembro, o escritório do Ibama em Paragominas foi incendiado.

"Tratou-se de um ato isolado, praticado por uma minoria", garante Demachki. A persistência nas boas práticas trouxe resultados. Problemas como a retirada ilícita de toras ainda persistem, mas em escala reduzida. A parceria com o Imazon permite, desde 2008, o monitoramento via satélite do território. Os relatórios mensais são enviados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que, com as coordenadas geográficas em mãos, vai aos locais exatos confirmar ou não o desmatamento. A outra parceria, com a TNC, assegurou a execução do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de quase todas as propriedades da cidade, uma ferramenta legal com informações sobre o perímetro e um mapeamento de vegetação nativa e áreas abertas de cada fazenda. "Assim, é possível definir, por exemplo, onde reflorestar", explica Niedermeier. Enfim, em março de 2010, o efeito de tanto esforço: Paragominas foi o primeiro município a sair da lista do desmatamento na Amazônia.

Julho/2011

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